É certo que brasileiro adora um feriado. Mas esse “Dia da Consciência Negra” é horrível. Uma compensação à injustiça histórica cometida contra os africanos escravizados? Tudo bem. Um combate ao preconceito racial? Louvável. Uma grande homenagem à cultura negra, que nos trouxe uma contribuição cultural (samba!), gastronômica (feijoada!), esportiva (capoeira!), et caetera, é perfeito e bem vindo. Agora, mais um feriado, a gente não precisa disso não.
Além disso, acredito que o maior preconceito no Brasil não é mais racial que social. Afinal, um negro de classe rica é bem visto, um favelado branco de olhos azuis vai ser descriminado tanto quanto um negro. E quanto às piadas, somos democráticos. Temos piadas com negros, judeus, turcos, louras, portugueses, argentinos, papagaios, homossexuais, gaúchos, gaúchos homossexuais, médicos, advogados e presidentes da república. Até com nossos ídolos (Senna, Xuxa, Ronaldinho...). É da vocação do brasileiro ser gozador. Mas não nego a persistência do ódio racial, copiado de nossos avôs e bisavôs, inclusive em termos como “serviço de preto”, horroroso isso, não? Mas não vamos chegar ao cúmulo norte-americano de implicar com termos hoje inocentes, como “mulato” (que, segundo alguns, vem de “mula”). Abaixo o politicamente correto, e vivam as mulatas!
O meu desgosto com o feriado é o prejuízo à nação de mais um dia ao ano parado, com perdas na produção e comércio. Além disso, um dia da “Consciência Negra” só reafirma o negro como minoria. Ou maioria desfavorecida, que seria o termo mais adequado. E que consciência? O que é debatido pela sociedade, o que isso acrescenta à nossa cultura? Onde está o resgate do valor do negro, e da memória histórica do país? Cadê o Eduardo Bueno para mostrar a importância de Zumbi para a resistência negra à escravidão? Alguém sabe onde fica o Quilombo dos Palmares?
Sem o resgate histórico, fica o feriado para ir à praia ou vadiar no shopping, e esse enigmático “Dia do Zumbi”, que parece nome de filme do George Romero. Aos negros (não me venham com essa de afro-descendentes, que é ridículo) resta um dia vazio de significado, sem relevância política, e que em nada acrescenta para a “valorização da raça”. Pois enquanto houver essa distinção de “raça”, em nada avançamos em direção à igualdade. No “Dia do Índio” pelo menos as crianças se divertem nas escolas, enquanto os brasileiros nativos permanecem à margem, bem guardados e salvaguardados da sociedade lá pro alto Xingu e reservas semelhantes, com um ocasional Sting para abraçar. Sinceramente? O “Dia do Orgulho Gay” é mais divertido. E mais relevante. Afinal, eles fazem mais barulho.
Se todo o universo pode ser uma Casca de Noz Imagine a força de uma Tempestade em um Copo d´Água. ... Um pequeno espaço para que eu possa falar sobre todas as coisas.
11/20/2007
11/01/2007
Vidas Breves
O que vai construir a história da vida?
As pequenas tragédias, as perdas e danos,
As escolhas erradas, memórias feridas,
Todos planos falidos e os nossos enganos?
Tem o alívio fugaz de um amor sem medida,
Temos poucas tolices que um dia sonhamos,
Temos glórias fugazes na guerra perdida,
Mas me diga, o que marca a passagem dos anos?
Talvez traumas secretos num mundo de dor
Remoendo o passado com raiva e rancor...
Ou momentos felizes de um tempo perdido,
Como fotos que aos poucos desbotam a cor.
É a mistura confusa de tudo, acredito,
Assim são nossas vidas, breves, sem sentido...
2 de Novembro de 2007
As pequenas tragédias, as perdas e danos,
As escolhas erradas, memórias feridas,
Todos planos falidos e os nossos enganos?
Tem o alívio fugaz de um amor sem medida,
Temos poucas tolices que um dia sonhamos,
Temos glórias fugazes na guerra perdida,
Mas me diga, o que marca a passagem dos anos?
Talvez traumas secretos num mundo de dor
Remoendo o passado com raiva e rancor...
Ou momentos felizes de um tempo perdido,
Como fotos que aos poucos desbotam a cor.
É a mistura confusa de tudo, acredito,
Assim são nossas vidas, breves, sem sentido...
2 de Novembro de 2007
10/26/2007
"O Caminho dos Barcos"
Da Natureza Frágil dos Sonhos
Cada sonho esvanece ao claro amanhecer
Restam paredes nuas do quarto vazio
Silencio no escuro, apenas chuva e frio
E o restante de minha vida pra viver.
A cada dia assisto tristemente o enterro
Inglório desses sonhos, as vãs esperanças
Aspirações incertas de pobres crianças
Que esquecem a poesia e vão viver um erro.
Mas o arrependimento espreita e nos sufoca
A cada longo dia a lembrança que evoca
Projetos abortados, tênue inspiração.
Mas não deixo morrer minha imaginação
Cada sonho é verdade antes do despertar
Tenho o resto da minha vida pra sonhar...
(11-04-2001)
Restam paredes nuas do quarto vazio
Silencio no escuro, apenas chuva e frio
E o restante de minha vida pra viver.
A cada dia assisto tristemente o enterro
Inglório desses sonhos, as vãs esperanças
Aspirações incertas de pobres crianças
Que esquecem a poesia e vão viver um erro.
Mas o arrependimento espreita e nos sufoca
A cada longo dia a lembrança que evoca
Projetos abortados, tênue inspiração.
Mas não deixo morrer minha imaginação
Cada sonho é verdade antes do despertar
Tenho o resto da minha vida pra sonhar...
(11-04-2001)
10/25/2007
Legalização do Aborto
A discussão política no Brasil anda em círculos. Recentemente, nosso governador, Sérgio Cabral, se declarou a favor do aborto. O debate sobre aborto me interessa. Afinal, minha candidata (Jandira Feghali) ao senado perdeu as eleições passadas, sendo líder nas pesquisas, justamente após se declarar a favor do aborto. Fizesse como Aécio e não emitisse opinião publicamente, teria se saído melhor. Mas não seria honesto. É que em política, a honestidade não compensa.
Há a questão da responsabilidade individual. Cada cidadão tem que ter responsabilidade sobre os seus atos. Afinal, o anticoncepcional oral (ACO), que contribuiu para a revolução sexual nos anos sessentas, e os preservativos já são de conhecimento geral. O governo federal distribui preservativos no SUS. Então, se a mulher engravida é porque quer. Certo ou errado?
O que eu vejo, na maioria dos casos, é que a ignorância ainda é a maior causa de gravidez indesejada, somada à imprudência e inconseqüência. As mulheres ainda acreditam em tabelinha e coito interrompido, o famoso "eu tiro antes". Além de serem métodos com alto índice de falha, dependem da compreensão (e controle) do companheiro. A imprudência se dá pelo pensamento absurdo de que não vai acontecer com ela. E a inconseqüência ocorre mais em adolescentes, que querem a gravidez, mas quando ocorre percebe que na verdade não está preparada para as mudanças que isso vai acarretar em sua vida, a incompreensão dos pais, o namorado que se esquiva das responsabilidades.
Mas permitir o aborto para os casos de gravidez indesejada é simplesmente a solução "fácil". A prevenção e orientação não podem ser substituídas pela interrupção da gravidez. Primeiro, porque não é um ato isento de riscos à saúde da mulher. Há risco, como qualquer procedimento invasivo: risco de vida, risco ao futuro reprodutivo. Em segundo lugar porque há um custo, e legalizando-se o aborto, obriga-se o SUS a realizá-lo. E, sinceramente, há casos mais importantes a se tratar. A AIDS, por exemplo. E, engraçado, as campanhas de prevenção à gravidez indesejada também servem para a prevenção das DST/AIDS.
No Brasil o aborto é permitido, em dois casos. Em caso de gestação fruto de união carnal forçada (estupro) e em caso de risco à vida materna. O caso do feto anencéfalo é complicado, visto que não há chance de sobrevida extra-uterina a longo prazo (geralmente vive poucas horas fora do ventre materno). Alguns médicos interpretam que levar a termo uma gestação de nove meses com o inevitável fim na morte do concepto um trauma psíquico que seria um prejuízo à saúde da mãe. Mas o trauma psicológico não implica em risco à vida, e o aborto é proibido nesse caso. A menos que se crie uma legislação específica para garantir a impunibilidade do aborto em caso de anencefalia.
Assim, acredito que a legalização do aborto só traria prejuízo a todos, principalmente à mulher. O que temos de fazer é aumentar as campanhas de planejamento familiar e combate à gravidez na infância e adolescência. Compete, então, ao Ministério da Saúde elaborar campanhas de prevenção que atinjam a população alvo, ou seja, as mulheres, principalmente as adolescentes. Uma boa iniciativa é o site “A Gente se Cuida”. Mas fica restrito aos que têm acesso à internet, precisamos de anúncios no rádio, televisão, revistas femininas... Botem o Duda Mendonça (se não me engano ainda é ele que tem a conta de propaganda do Ministério da Saúde...) para trabalhar um pouco.
Finalizando, o argumento principal do nosso governador é que filhos não desejados acabam alvos fáceis da marginalidade, aumentando o crime na cidade do Rio de Janeiro. Uma generalização tosca, para dizer o mínimo, sobre um assunto tão importante. Transferir para a Saúde um problema obviamente da Justiça e Segurança Pública. Ora, me bastaria que se pusesse em prática a lei. Se os bandidos fossem presos, e mais, se permanecessem presos (e sem celular), as crianças não se tornariam alvos da criminalidade
Há a questão da responsabilidade individual. Cada cidadão tem que ter responsabilidade sobre os seus atos. Afinal, o anticoncepcional oral (ACO), que contribuiu para a revolução sexual nos anos sessentas, e os preservativos já são de conhecimento geral. O governo federal distribui preservativos no SUS. Então, se a mulher engravida é porque quer. Certo ou errado?
O que eu vejo, na maioria dos casos, é que a ignorância ainda é a maior causa de gravidez indesejada, somada à imprudência e inconseqüência. As mulheres ainda acreditam em tabelinha e coito interrompido, o famoso "eu tiro antes". Além de serem métodos com alto índice de falha, dependem da compreensão (e controle) do companheiro. A imprudência se dá pelo pensamento absurdo de que não vai acontecer com ela. E a inconseqüência ocorre mais em adolescentes, que querem a gravidez, mas quando ocorre percebe que na verdade não está preparada para as mudanças que isso vai acarretar em sua vida, a incompreensão dos pais, o namorado que se esquiva das responsabilidades.
Mas permitir o aborto para os casos de gravidez indesejada é simplesmente a solução "fácil". A prevenção e orientação não podem ser substituídas pela interrupção da gravidez. Primeiro, porque não é um ato isento de riscos à saúde da mulher. Há risco, como qualquer procedimento invasivo: risco de vida, risco ao futuro reprodutivo. Em segundo lugar porque há um custo, e legalizando-se o aborto, obriga-se o SUS a realizá-lo. E, sinceramente, há casos mais importantes a se tratar. A AIDS, por exemplo. E, engraçado, as campanhas de prevenção à gravidez indesejada também servem para a prevenção das DST/AIDS.
No Brasil o aborto é permitido, em dois casos. Em caso de gestação fruto de união carnal forçada (estupro) e em caso de risco à vida materna. O caso do feto anencéfalo é complicado, visto que não há chance de sobrevida extra-uterina a longo prazo (geralmente vive poucas horas fora do ventre materno). Alguns médicos interpretam que levar a termo uma gestação de nove meses com o inevitável fim na morte do concepto um trauma psíquico que seria um prejuízo à saúde da mãe. Mas o trauma psicológico não implica em risco à vida, e o aborto é proibido nesse caso. A menos que se crie uma legislação específica para garantir a impunibilidade do aborto em caso de anencefalia.
Assim, acredito que a legalização do aborto só traria prejuízo a todos, principalmente à mulher. O que temos de fazer é aumentar as campanhas de planejamento familiar e combate à gravidez na infância e adolescência. Compete, então, ao Ministério da Saúde elaborar campanhas de prevenção que atinjam a população alvo, ou seja, as mulheres, principalmente as adolescentes. Uma boa iniciativa é o site “A Gente se Cuida”. Mas fica restrito aos que têm acesso à internet, precisamos de anúncios no rádio, televisão, revistas femininas... Botem o Duda Mendonça (se não me engano ainda é ele que tem a conta de propaganda do Ministério da Saúde...) para trabalhar um pouco.
Finalizando, o argumento principal do nosso governador é que filhos não desejados acabam alvos fáceis da marginalidade, aumentando o crime na cidade do Rio de Janeiro. Uma generalização tosca, para dizer o mínimo, sobre um assunto tão importante. Transferir para a Saúde um problema obviamente da Justiça e Segurança Pública. Ora, me bastaria que se pusesse em prática a lei. Se os bandidos fossem presos, e mais, se permanecessem presos (e sem celular), as crianças não se tornariam alvos da criminalidade
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