Esse é um dia de reflexão e introspecção para mim. Todos os dias são iguais, mas hoje parece mais fácil notar o tempo correndo inexoravelmente, como a areia que escorre entre os dedos. Quase posso ouvir o tique-taque do relógio biológico, contando cada hora dolorosa, e me lembrando que ultima necat.
Sempre imaginei a vida como um carro desgovernado, descendo uma longa rampa, cada vez mais acelerado, em direção ao inevitável desastre no fim do caminho. E eu continuo como reles expectador dos anos que passam, um a um, sem sentido, sem respostas, sem motivos.
E hoje já passaram por mim 32 desses, para nunca mais voltar...
Se todo o universo pode ser uma Casca de Noz Imagine a força de uma Tempestade em um Copo d´Água. ... Um pequeno espaço para que eu possa falar sobre todas as coisas.
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4/29/2008
6/28/2007
Considerações ao Amanhecer
O ser humano possui algumas características que o diferenciam dos outros animais. As mais importantes, segundo a antropologia, é o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. Mas existem outras diferenças, é claro. Uma diferença menos óbvia, mas não menos importante, é a consciência da morte. O objetivo desse pequeno texto que estou escrevendo após virar a noite trabalhando no hospital, com bastante consciência da morte ao meu redor, é entender o que o ser humano faz desse conhecimento.
O conhecimento da própria finitude gera uma resposta complexa por parte do ser humano. Não usamos esse conhecimento com freqüência, ao contrário da tabuada. Na maior parte das vezes, nós sequer lembramos-nos da inevitabilidade da morte, é mais fácil fingir que somos eternos. E assim nós seguimos nossas vidas, com nosso trabalho, nossos amores, nossas dores, nossa diversão ocasional e o cansaço constante. Porque afinal, se tivermos sempre em mente que estamos aqui só de passagem, e com destino incerto, vêm as incertezas e aquela sensação de futilidade; afinal, se o destino é o fim, de que nos vale tudo isso? E aí é fácil que a angústia venha oprimir o peito e corroer a vontade, deixando o vazio tomar conta da mente e do coração.
Sempre sofri com essa angústia, e valia para mim também o mau hábito de desviar a reflexão sobre a própria morte sempre que esta invadia os meus pensamentos, como um alienígena ou um visitante indesejado. E procurar muitas atividades, para não ter que pensar muito sobre o fim. Se ocupar ao máximo para evitar o vazio. Mas não tem de ser assim. Percebi isso hoje, saindo do hospital. O sol se levantava, tingindo de vermelho as poucas nuvens no horizonte, e o céu atingia aquele azul límpido da aurora. E fiquei inexplicavelmente feliz, apenas por estar vivo e poder presenciar aquele espetáculo, ao mesmo tempo cotidiano e extraordinário, e (melhor de tudo) gratuito. E, se a morte é inevitável, cada segundo é importante, cada nascer do sol merece ser visto. O fato da vida ter seu fim inevitável na morte não a torna supérflua ou sem sentido. Apenas reforça o fato de que a vida é agora, é única, é preciosa.
Talvez eu esteja escrevendo de forma sentimentalóide, piegas mesmo. Deus me livre de parecer livro de auto-ajuda! Não era minha intenção escrever verdades da vida ou historinhas com moral. Estou escrevendo porque me pareceu importante a estranha sensação de que todo o sentido que sempre procurei na minha própria vida possa estar simplesmente na vida em si. E quem realmente me conhece vai saber o quanto isso é importante para mim.
Talvez mais tarde, quando eu acordar, já tenha passado e eu precise ler isso para lembrar.
O conhecimento da própria finitude gera uma resposta complexa por parte do ser humano. Não usamos esse conhecimento com freqüência, ao contrário da tabuada. Na maior parte das vezes, nós sequer lembramos-nos da inevitabilidade da morte, é mais fácil fingir que somos eternos. E assim nós seguimos nossas vidas, com nosso trabalho, nossos amores, nossas dores, nossa diversão ocasional e o cansaço constante. Porque afinal, se tivermos sempre em mente que estamos aqui só de passagem, e com destino incerto, vêm as incertezas e aquela sensação de futilidade; afinal, se o destino é o fim, de que nos vale tudo isso? E aí é fácil que a angústia venha oprimir o peito e corroer a vontade, deixando o vazio tomar conta da mente e do coração.
Sempre sofri com essa angústia, e valia para mim também o mau hábito de desviar a reflexão sobre a própria morte sempre que esta invadia os meus pensamentos, como um alienígena ou um visitante indesejado. E procurar muitas atividades, para não ter que pensar muito sobre o fim. Se ocupar ao máximo para evitar o vazio. Mas não tem de ser assim. Percebi isso hoje, saindo do hospital. O sol se levantava, tingindo de vermelho as poucas nuvens no horizonte, e o céu atingia aquele azul límpido da aurora. E fiquei inexplicavelmente feliz, apenas por estar vivo e poder presenciar aquele espetáculo, ao mesmo tempo cotidiano e extraordinário, e (melhor de tudo) gratuito. E, se a morte é inevitável, cada segundo é importante, cada nascer do sol merece ser visto. O fato da vida ter seu fim inevitável na morte não a torna supérflua ou sem sentido. Apenas reforça o fato de que a vida é agora, é única, é preciosa.
Talvez eu esteja escrevendo de forma sentimentalóide, piegas mesmo. Deus me livre de parecer livro de auto-ajuda! Não era minha intenção escrever verdades da vida ou historinhas com moral. Estou escrevendo porque me pareceu importante a estranha sensação de que todo o sentido que sempre procurei na minha própria vida possa estar simplesmente na vida em si. E quem realmente me conhece vai saber o quanto isso é importante para mim.
Talvez mais tarde, quando eu acordar, já tenha passado e eu precise ler isso para lembrar.
7/27/2006
O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam
Destino vive no Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. É o seu Lar. Mas para nós, que passeamos nele sem saber, é uma prisão. A cada passo, a cada dia, construímos nosso caminho, titubeantes. A cada escolha, chegamos em um lugar novo, e uma nova escolha deve ser feita. Sempre.
Não há como traçar o caminho a seguir, antecipadamente. Não vemos muito longe à nossa frente. E, se olharmos para trás, uma leve névoa já recobre o caminho percorrido. Não há retorno. Quem sabe, com as escolhas certas, você acha o que perdeu um pouco mais à frente? Não há certezas, escolhemos às cegas, e torcemos para dar tudo certo.
São muitos caminhos, não há como trilhar todos. E a cada um escolhido milhões são deixados para trás. Alguns caminhos podem te levar ao final mais rápido, outros demoram mais, mais todos vão para o mesmo lugar, no fim das contas. Vão para o reino da irmã mais nova de destino, Desencarnação. Mas não quero falar sobre isso.
Quero falar das escolhas, decisões inevitáveis. São elas tudo o que importa nesse labirinto, pois o fim da trilha é inevitável, e o resto é somente o vazio. É fácil se perder nessa estrada, uma palavra, um ato, um olhar para o lado errado, ou uma omissão... e, de repente, estamos em um lugar irreconhecível, sem saber para onde seguir então, e no espelho há o reflexo de um estranho. Mas qualquer caminho serve, quando não se sabe para onde quer ir.
Já quis tomar as rédeas, dizer não, mudar de vez o Destino, mas minha vida parece estar toda no Livro que ele trás acorrentado ao seu punho. E não merece mais que uma página, um parágrafo talvez. E continuei seguindo, tentando inventar novos passos para conquistar a liberdade que não existe nessa prisão. Foi então que me perdi completamente, e agora não enxergo nada à frente, muito pouco aparece ao olhar para trás. “Meu Desejo e meu Destino, brigaram como irmãos”, e agora estou cada vez mais longe, longe de tudo, longe de mim.
E o vazio ameaça me engolir.
Não há como traçar o caminho a seguir, antecipadamente. Não vemos muito longe à nossa frente. E, se olharmos para trás, uma leve névoa já recobre o caminho percorrido. Não há retorno. Quem sabe, com as escolhas certas, você acha o que perdeu um pouco mais à frente? Não há certezas, escolhemos às cegas, e torcemos para dar tudo certo.
São muitos caminhos, não há como trilhar todos. E a cada um escolhido milhões são deixados para trás. Alguns caminhos podem te levar ao final mais rápido, outros demoram mais, mais todos vão para o mesmo lugar, no fim das contas. Vão para o reino da irmã mais nova de destino, Desencarnação. Mas não quero falar sobre isso.
Quero falar das escolhas, decisões inevitáveis. São elas tudo o que importa nesse labirinto, pois o fim da trilha é inevitável, e o resto é somente o vazio. É fácil se perder nessa estrada, uma palavra, um ato, um olhar para o lado errado, ou uma omissão... e, de repente, estamos em um lugar irreconhecível, sem saber para onde seguir então, e no espelho há o reflexo de um estranho. Mas qualquer caminho serve, quando não se sabe para onde quer ir.
Já quis tomar as rédeas, dizer não, mudar de vez o Destino, mas minha vida parece estar toda no Livro que ele trás acorrentado ao seu punho. E não merece mais que uma página, um parágrafo talvez. E continuei seguindo, tentando inventar novos passos para conquistar a liberdade que não existe nessa prisão. Foi então que me perdi completamente, e agora não enxergo nada à frente, muito pouco aparece ao olhar para trás. “Meu Desejo e meu Destino, brigaram como irmãos”, e agora estou cada vez mais longe, longe de tudo, longe de mim.
E o vazio ameaça me engolir.
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