Hoje estou otimista... Sempre ouvi desde a infância que o Brasil é o País do Futuro. Só que o futuro nunca chega, e eu já estava conformado em viver em um país com um potencial nunca atingível, de expectativas frustradas e oportunidades desperdiçadas. Mas dormimos sonhando com o amanhã, e parece que o amanhã está chegando.
Deixe eu me explicar; houve um tempo, não muito distante, em que nosso único motivo de orgulho era o futebol. Enquanto o País do Futuro não chegava, nos contentávamos em ser o País do Futebol. Afinal o milagre era engodo, o vinho virou água, e a sina do brasileiro era o ciclo vicioso do Jeca Tatu, pobre por não ter disposição, não ter disposição por ser doente, ser doente por ser pobre. Mas aos poucos, quase sem perceber, algo foi mudando no país.
O primeiro passo em direção ao futuro foi o controle da inflação. Sofrer porque a inflação vai ser de 5% esse ano, e não 3% é um sofrimento com o qual sonhávamos em tempos de plano Cruzado, Cruzeiro Novo e outras bizarrices do passado. E na esteira da estabilidade da moeda, de repente somos um dos países que mais acessam internet, vendas altas de computadores, celulares, carros. E a arrecadação com impostos esse ano vai ser tão alta que a finada CPMF não fez diferença alguma... embora, é claro, o governo já esteja querendo ressuscitar o imposto como CSS (Contribuição Social para Saúde – já perceberam que esse governo adora um “Social”? Soa tão bem!). As coisas, devagar, aos trancos e barrancos, parecem estar funcionando.
Mas nada disso foi o que me fez ficar otimista, é claro. O que me animou de verdade é que hoje (29/05/08) o Brasil se mostrou visionário e livre de preconceitos religiosos. O STF aprovou a pesquisa com células-tronco de embriões humanos, seguindo a lei de biosegurança. . Talvez o Futuro finalmente esteja chegando, e não é ficção científica não. O avanço da ciência e tecnologia nos colocará em local de destaque junto à comunidade internacional. O Brasil finalmente está chegando, com passos tímidos, no Futuro.
Talvez meus netos ainda consigam ver o Futuro chegar!
Se todo o universo pode ser uma Casca de Noz Imagine a força de uma Tempestade em um Copo d´Água. ... Um pequeno espaço para que eu possa falar sobre todas as coisas.
5/30/2008
4/29/2008
Envelheço na Cidade
Esse é um dia de reflexão e introspecção para mim. Todos os dias são iguais, mas hoje parece mais fácil notar o tempo correndo inexoravelmente, como a areia que escorre entre os dedos. Quase posso ouvir o tique-taque do relógio biológico, contando cada hora dolorosa, e me lembrando que ultima necat.
Sempre imaginei a vida como um carro desgovernado, descendo uma longa rampa, cada vez mais acelerado, em direção ao inevitável desastre no fim do caminho. E eu continuo como reles expectador dos anos que passam, um a um, sem sentido, sem respostas, sem motivos.
E hoje já passaram por mim 32 desses, para nunca mais voltar...
Sempre imaginei a vida como um carro desgovernado, descendo uma longa rampa, cada vez mais acelerado, em direção ao inevitável desastre no fim do caminho. E eu continuo como reles expectador dos anos que passam, um a um, sem sentido, sem respostas, sem motivos.
E hoje já passaram por mim 32 desses, para nunca mais voltar...
4/01/2008
3/19/2008
Apologia da Burguesia
Todo militante da esquerda, como bom estereótipo, usa barba e camisa vermelha. Era assim o Fabrício, meu xará e personagem de Murilo Benício em uma dessas novelas da Globo. Além disso, têm seus bordões. Os principais são falar mal da “burguesia”. A burguesia é vista como a fonte de todos os males, exploradora e cruel. Como dizia a música do Cazuza (também um burguês), “a burguesia fede”.
Mas o que é a Burguesia? Historicamente, as Cruzadas serviram para reabrir rotas comerciais entre o ocidente e o oriente. O modelo político econômico feudal presenciou então o renascimento do comércio, e os mercadores começaram a se agrupar em fortalezas, os chamados burgos . Quem vivia nessas cidades rudimentares eram conhecidos como burgueses. A burguesia naquela época foi responsável por uma verdadeira revolução, que modificou a estrutura de poder da sociedade: a transição do feudalismo para o capitalismo.
Talvez seja daí o ódio dos esquerdistas contra a burguesia. Afinal, foi esta responsável pelo surgimento do modelo sócio-econômico capitalista, Nêmesis do comunismo de Marx. A favor do capitalismo, temos que destacar o avanço para a época; de uma estrutura rígida de castas onde a classe dominante, a nobreza e o clero, detinha o poder por direito de nascença, passamos a uma estrutura mais flexível, onde teoricamente temos possibilidade de ascensão social à custa do trabalho e esforço pessoal. Além disso, a busca por capital levou indiscutivelmente aos avanços tecnológicos que culminaram na revolução industrial. Enfim, o progresso. Como qualquer ruptura com modelos antigos, essa nova sociedade carecia de regras, o que levou ao abuso do poder econômico. Esse foi o lado negro do capitalismo, a exploração do trabalho em condições subumanas. Com o tempo surgiriam mecanismos de controle, como as leis trabalhistas.
Tudo bem, eu fiquei divagando sobre história, mas isso foi o passado. E hoje, quem é a burguesia? Não existe uma definição atual para burguesia, que adquiriu um sentido mais amplo do que apenas os comerciantes. Pelo que eu entendi, a burguesia seria o oposto do “povo”, que não teria aqui o sentido de população, mas sim de operários e assalariados, ou seja, a classe de renda mais baixa. Burguesia seriam as classes dominantes, um grupo bem heterogêneo. Teríamos a “elite” como os donos do poder, megaempresários, políticos, grandes proprietários de terra. Mas esses são uma classe a parte, mesmo para a burguesia. Em um sentido mais restrito, burguesia seriam os profissionais liberais, médicos, advogados e dentistas, os pequenos comerciantes, os funcionários com nível superior, engenheiros, arquitetos, jornalistas e professores, os gerentes de bancos e lojas, os microempresários, os funcionários públicos, os oficiais militares e profissionais de informática. Enfim, a classe média.
A burguesia com seu charme discreto equilibra-se na corda bamba, transitando entre dois mundos. Sonha em chegar ao topo (acúmulo de capital), mas vive pendurada para não cair. A burguesia quer ter lazer, educar os filhos e adquirir bens de consumo. Com isso movimenta o comércio, impulsiona a economia do país. Os burgueses trabalham sempre mais e mais para ter dinheiro para sustentar seus caprichos, mas é esse consumismo tão criticado pela “esquerda” que dá emprego em fábricas ao proletariado. A burguesia dá emprego às secretárias e domésticas. A burguesia gera renda, é o trabalhador especializado, mais ativo economicamente. A burguesia paga os impostos com os quais o governo sustenta os projetos sociais, hospitais públicos, escolas públicas, favela-bairro, bolsa família. A burguesia paga a conta de luz, com contribuição para iluminação pública, enquanto as favelas estão acesas no “gato”. A burguesia perde na transação bancária, nos impostos excessivos, na propaganda enganosa, com produtos danificados que não conseguem trocar, no abuso do dia-a-dia. E não se revolta, segue trabalhando com o sonho do acúmulo de capital. Não invade fazendas nem faz baderna no congresso. Os burgueses só queremos viver nossas vidas em paz, viajar nas férias, criar nossos filhos longe da violência. Tem burgueses bons e maus, afinal todas pessoas tem defeitos e qualidades. Alguns têm “consciência social” e tentam ajudar doando dinheiro para os “Criança Esperança” da vida. Essas duvidosas “organizações não-governamentais” que recebem dinheiro do governo para fazer o que o próprio governo deveria fazer diretamente. Mas a maioria gostaria de viver em um ambiente sem desigualdades sociais, só não vão fazer qualquer esforço para isso. Afinal, é função do governo, e nós já fazemos nossa parte, trabalhando e pagando impostos.
Então, não me venham os militantes de esquerda falar da burguesia, somos trabalhadores explorados pelo governo, e geramos trabalho para as classes de menor renda. E não existe “pobrezinho”; cada qual está cuidando de seus interesses. E também não existe essa de ideal comunista, em todos os modelos já tantados o governo continua parasitando a real força de trabalho e renda da burguesia. E, por último, a burguesia não fede. Trabalhamos para pagar nosso perfume francês, pagando 60% do valor como imposto, com o qual é financiado o bolsa-família.
Mas o que é a Burguesia? Historicamente, as Cruzadas serviram para reabrir rotas comerciais entre o ocidente e o oriente. O modelo político econômico feudal presenciou então o renascimento do comércio, e os mercadores começaram a se agrupar em fortalezas, os chamados burgos . Quem vivia nessas cidades rudimentares eram conhecidos como burgueses. A burguesia naquela época foi responsável por uma verdadeira revolução, que modificou a estrutura de poder da sociedade: a transição do feudalismo para o capitalismo.
Talvez seja daí o ódio dos esquerdistas contra a burguesia. Afinal, foi esta responsável pelo surgimento do modelo sócio-econômico capitalista, Nêmesis do comunismo de Marx. A favor do capitalismo, temos que destacar o avanço para a época; de uma estrutura rígida de castas onde a classe dominante, a nobreza e o clero, detinha o poder por direito de nascença, passamos a uma estrutura mais flexível, onde teoricamente temos possibilidade de ascensão social à custa do trabalho e esforço pessoal. Além disso, a busca por capital levou indiscutivelmente aos avanços tecnológicos que culminaram na revolução industrial. Enfim, o progresso. Como qualquer ruptura com modelos antigos, essa nova sociedade carecia de regras, o que levou ao abuso do poder econômico. Esse foi o lado negro do capitalismo, a exploração do trabalho em condições subumanas. Com o tempo surgiriam mecanismos de controle, como as leis trabalhistas.
Tudo bem, eu fiquei divagando sobre história, mas isso foi o passado. E hoje, quem é a burguesia? Não existe uma definição atual para burguesia, que adquiriu um sentido mais amplo do que apenas os comerciantes. Pelo que eu entendi, a burguesia seria o oposto do “povo”, que não teria aqui o sentido de população, mas sim de operários e assalariados, ou seja, a classe de renda mais baixa. Burguesia seriam as classes dominantes, um grupo bem heterogêneo. Teríamos a “elite” como os donos do poder, megaempresários, políticos, grandes proprietários de terra. Mas esses são uma classe a parte, mesmo para a burguesia. Em um sentido mais restrito, burguesia seriam os profissionais liberais, médicos, advogados e dentistas, os pequenos comerciantes, os funcionários com nível superior, engenheiros, arquitetos, jornalistas e professores, os gerentes de bancos e lojas, os microempresários, os funcionários públicos, os oficiais militares e profissionais de informática. Enfim, a classe média.
A burguesia com seu charme discreto equilibra-se na corda bamba, transitando entre dois mundos. Sonha em chegar ao topo (acúmulo de capital), mas vive pendurada para não cair. A burguesia quer ter lazer, educar os filhos e adquirir bens de consumo. Com isso movimenta o comércio, impulsiona a economia do país. Os burgueses trabalham sempre mais e mais para ter dinheiro para sustentar seus caprichos, mas é esse consumismo tão criticado pela “esquerda” que dá emprego em fábricas ao proletariado. A burguesia dá emprego às secretárias e domésticas. A burguesia gera renda, é o trabalhador especializado, mais ativo economicamente. A burguesia paga os impostos com os quais o governo sustenta os projetos sociais, hospitais públicos, escolas públicas, favela-bairro, bolsa família. A burguesia paga a conta de luz, com contribuição para iluminação pública, enquanto as favelas estão acesas no “gato”. A burguesia perde na transação bancária, nos impostos excessivos, na propaganda enganosa, com produtos danificados que não conseguem trocar, no abuso do dia-a-dia. E não se revolta, segue trabalhando com o sonho do acúmulo de capital. Não invade fazendas nem faz baderna no congresso. Os burgueses só queremos viver nossas vidas em paz, viajar nas férias, criar nossos filhos longe da violência. Tem burgueses bons e maus, afinal todas pessoas tem defeitos e qualidades. Alguns têm “consciência social” e tentam ajudar doando dinheiro para os “Criança Esperança” da vida. Essas duvidosas “organizações não-governamentais” que recebem dinheiro do governo para fazer o que o próprio governo deveria fazer diretamente. Mas a maioria gostaria de viver em um ambiente sem desigualdades sociais, só não vão fazer qualquer esforço para isso. Afinal, é função do governo, e nós já fazemos nossa parte, trabalhando e pagando impostos.
Então, não me venham os militantes de esquerda falar da burguesia, somos trabalhadores explorados pelo governo, e geramos trabalho para as classes de menor renda. E não existe “pobrezinho”; cada qual está cuidando de seus interesses. E também não existe essa de ideal comunista, em todos os modelos já tantados o governo continua parasitando a real força de trabalho e renda da burguesia. E, por último, a burguesia não fede. Trabalhamos para pagar nosso perfume francês, pagando 60% do valor como imposto, com o qual é financiado o bolsa-família.
3/11/2008
Caixa Rápida???
Fui ao caixa eletrônico, também chamado de caixa rápida. Bem, não sei o motivo do apelido. Na fila tinham duas pessoas na minha frente. Sabem, eu tenho o hobby de cronometrar o tempo de uso do caixa pelos outros. É uma divertida forma de se distrair enquanto se desperdiça seu precioso tempo.
A primeira senhora se dirigiu ao caixa. Olho no relógio, respiro fundo e dou a largada. Do momento em que a senhora passou o cartão até o instante em que resolveu sair mesmo sem conseguir efetuar a operação, passaram-se singelos 7 minutos. Muito bom. O segundo se adianta, um homem baixo e atarracado, de bermuda e chinelos. Tem tudo para ser o campeão. Passa o cartão, se debruça sobre o teclado para proteger a senha (só faltou olhar para os lados), digita, digita, digita. Afasta-se um pouco, o tempo correndo, até que expira o tempo limite da operação. OK, temos bastante tempo, não temos mais nada o que fazer mesmo. Passa o cartão de novo, repete a operação. Dessa vez vai. Não foi. Mas agora já está mais experiente, se enche de confiança. E eu, um olho no relógio, o outro no caixa. Passa o cartão, deve estar nervoso, dessa vez nem se preocupa em cobrir a tela. Ah, se eu fosse um assaltante! Mas não sou, tenho apenas esse esporte: cronometrar. Ih, dessa vez deu certo! Aguarde a contagem do dinheiro. Não tenha pressa, a máquina já contou, mas faça questão de recontar você mesmo, aí na frente do caixa. Se estiver errado vai fazer o quê, reclamar com a máquina? Que bom, está certo. Saiu com apenas 15 minutos e alguns segundos. Deve ser recorde mundial.
Apesar da minha diversão, fiquei preocupado com aqueles estressados apressadinhos, que levam menos de 1 minuto para sacar seu dinheiro e sair correndo para o próximo compromisso ou para um infarto, o que vier primeiro. E pensei em uma solução ideal. Os bancos poderiam criar dois caixas diferentes, que ficariam sempre uma ao lado da outra. Uma seria a caixa rápida como a conhecemos. A outra seria a “caixa especial”. Essa teria mais recursos, como tutorial de ajuda, perguntas mais freqüentes, desenhos e gráficos explicativos. Teríamos então para os apressadinhos a fila do caixa rápido, se é que iria chegar a formar fila. E, ao lado, a fila dos especiais para os idosos, seqüelados e oligofrênicos em geral.
Vou tentar vender minha idéia para os bancos. Nem venham achar a idéia preconceituosa, pelo contrário; trata-se de dar um atendimento preferencial àqueles que têm dificuldades cognitivas e lentificação do pensamento. E, como tenho observado, os oligofrênicos estão longe de ser uma minoria hoje em dia. Pelo contrário, atualmente se vêem muitos deles com altos cargos no governo.
Mas enquanto a minha idéia não se concretiza, vou comprar um cronômetro de verdade.
A primeira senhora se dirigiu ao caixa. Olho no relógio, respiro fundo e dou a largada. Do momento em que a senhora passou o cartão até o instante em que resolveu sair mesmo sem conseguir efetuar a operação, passaram-se singelos 7 minutos. Muito bom. O segundo se adianta, um homem baixo e atarracado, de bermuda e chinelos. Tem tudo para ser o campeão. Passa o cartão, se debruça sobre o teclado para proteger a senha (só faltou olhar para os lados), digita, digita, digita. Afasta-se um pouco, o tempo correndo, até que expira o tempo limite da operação. OK, temos bastante tempo, não temos mais nada o que fazer mesmo. Passa o cartão de novo, repete a operação. Dessa vez vai. Não foi. Mas agora já está mais experiente, se enche de confiança. E eu, um olho no relógio, o outro no caixa. Passa o cartão, deve estar nervoso, dessa vez nem se preocupa em cobrir a tela. Ah, se eu fosse um assaltante! Mas não sou, tenho apenas esse esporte: cronometrar. Ih, dessa vez deu certo! Aguarde a contagem do dinheiro. Não tenha pressa, a máquina já contou, mas faça questão de recontar você mesmo, aí na frente do caixa. Se estiver errado vai fazer o quê, reclamar com a máquina? Que bom, está certo. Saiu com apenas 15 minutos e alguns segundos. Deve ser recorde mundial.
Apesar da minha diversão, fiquei preocupado com aqueles estressados apressadinhos, que levam menos de 1 minuto para sacar seu dinheiro e sair correndo para o próximo compromisso ou para um infarto, o que vier primeiro. E pensei em uma solução ideal. Os bancos poderiam criar dois caixas diferentes, que ficariam sempre uma ao lado da outra. Uma seria a caixa rápida como a conhecemos. A outra seria a “caixa especial”. Essa teria mais recursos, como tutorial de ajuda, perguntas mais freqüentes, desenhos e gráficos explicativos. Teríamos então para os apressadinhos a fila do caixa rápido, se é que iria chegar a formar fila. E, ao lado, a fila dos especiais para os idosos, seqüelados e oligofrênicos em geral.
Vou tentar vender minha idéia para os bancos. Nem venham achar a idéia preconceituosa, pelo contrário; trata-se de dar um atendimento preferencial àqueles que têm dificuldades cognitivas e lentificação do pensamento. E, como tenho observado, os oligofrênicos estão longe de ser uma minoria hoje em dia. Pelo contrário, atualmente se vêem muitos deles com altos cargos no governo.
Mas enquanto a minha idéia não se concretiza, vou comprar um cronômetro de verdade.
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