2/17/2008

Ajustem seus relógios...

Acabou o horário de verão. Pelo menos não vou mais ter que ficar escutando aquelas pessoas que vivem reclamando que perderam uma hora, que esse horário de verão é horrível, que o dia ficou mais curto.
Gente, o horário de verão tira uma hora da madrugada de sábado, e a maioria das pessoas não trabalha domingo. Pode acordar mais tarde e se adaptar melhor. As pessoas que têm mais dificuldade de se adaptar levam no máximo uma semana para se ajustar biologicamente ao novo horário. Reclamar do horário de verão não faz sentido.
Tudo bem, quem acorda cedo sai à rua no escuro ainda. Mas não compensa chegar em casa com o dia claro? Economizamos na luz, basta deixar as janelas abertas e jantar com o dia ainda claro. E em tempos de escassez de energia, isso vale muito.
Mas acabou o horário de verão, não vou mais ouvir as pessoas reclamando da hora perdida – devolvida intacta. Só vou sentir falta de chegar em casa com o sol brilhando. Ah, isso eu vou.

2/11/2008

Essa Ofegante Epidemia

Estou voltando do descanso de carnaval. Agora posso atualizar o blog, e não posso deixar de falar do Carnaval. Perdoem-me aqueles teóricos que odeiam o carnaval, que desvia a atenção do que é importante para o país, das falcatruas dos governantes, das tragédias das barreiras que caem, das enchentes e da falta de estrutura, do triste cotidiano das crianças que cheiram cola, da falta de escola, et caetera (=espaço para listarem mais quinhentas tragédias diárias).

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Tudo bem, eu já reclamei nesse mesmo espaço do excesso de feriados, que prejudicam a economia do país. Queixava-me da criação de novos feriados, como o “Dia da Consciência Negra”. Não se aplica ao Carnaval, tradicional feriado no mundo ocidental trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses com o nome de Entrudo. E que movimenta a economia, com grande afluxo de turistas do mundo todo.
Além disso, o Carnaval é uma imensa manifestação cultural popular e uma grande catarse coletiva. Mesmo os que não gostam de brincar, podem aproveitar o momento para descansar e esquecer um pouco os problemas, aproveitando essa “alegria fugaz”. Para se preocupar com as contas e impostos, para se indignar com a política e a violência, os brasileiros já temos os outros 360 dias do ano. Essa é a época do ano para expressar a alegria de viver, aproveitar o que temos de melhor na nossa cultura, com a expressão popular na música, nas fantasias, performances e naquela mistura de um pouco de tudo isso que são os desfiles das Escolas de Samba. Os desfiles são uma forma de arte composta, que consegue misturar escultura, música, drama, poesia, pintura e dança.
Como o assunto chegou aos desfiles, vamos à polêmica de 2008, a Viradouro. Como já está virando hábito no carnaval, a justiça interferiu no desfile proibindo a apresentação do carro alegórico que representava o Holocausto. Diversas vezes a justiça já foi usada para proibir a apresentação de assuntos polêmicos, na maioria das vezes ao abordar religião ou para controlar a sensualidade na avenida. Quem pode esquecer o Cristo em farrapos, no “Luxo do Lixo” de Joãozinho Trinta? Censura no carnaval parece um resquício de ditadura.
Mas vocês viram o carro em questão nessa polêmica em particular? Muito realista, uma verdadeira obra de arte. No entanto, imaginar aquela tragédia no meio de foliões animados, pulando e cantando com alegria (como todo carnaval deve ser), realmente me pareceu de um mau gosto incrível. Talvez pela própria crueza realística da obra. Não acho que o carro devesse entrar na avenida mesmo. Tragédias não combinam com o Carnaval! Não vejo como um alerta, mas como um desrespeito ao drama de milhões de vidas perdidas. Respeitaria e defenderia uma imensa ala de nazistas com suásticas de purpurina e tapa-sexo imitando o bigodinho de Hitler, mas cadáveres desnutridos não me parecem tema de carnaval.
Vejam bem, sou contra toda e qualquer forma de censura. Não falei que aprovei a censura ao carro da Viradouro, apenas acredito que o carro não devia entrar na avenida. O próprio carnavalesco poderia ter dado ouvidos à Federação Israelita e atendido ao pedido simples de não usar a alegoria. Imaginem um carro com o Senna arrebentado no chão, o capacete amarelo tinto de sangue, e restos do carro servindo de base para o samba das destaques Adriane Galisteu e Xuxa, vestindo só um tapa-sexo preto e um véu de filó negro, a fantasia “Viuvinhas Deslumbrantes”; ou um carro alegórico com uma criança sendo arrastada atrás, enquanto cinco destaques com a fantasia “Bandidos do Rio com plumas e paetês” sambam alegremente. Não aticem minha imaginação, posso criar mais alegorias cruéis...
Por outro lado, a moça que desfilou fantasiada de índia com o menor tapa-sexo do mundo, com míseros 3,5 cm perdidos como uma ilha no mar de carne que o cercava, levou sua escola a ser punida com a perda de meio ponto. Defensora da moral e bons costumes no Carnaval, a própria Liga das Escolas de Samba se incumbiu de agir como censora nesse caso, dispensando a justiça. Que poderia autuar a moça por atentado ao pudor. Pudor no Carnaval???
Carnaval é a festa de orgia e excessos, de gula, luxúria e vaidade, que teoricamente antecederiam o período de 40 dias em contrição que precedem a Semana Santa. É um período para pecado e fantasia, para alegria, para a expressão da arte popular, para a “ala dos barões famintos/ O bloco dos napoleões retintos/ E os pigmeus do bulevar”. Toda forma de arte deve ser respeitada, mas bem que os carnavalescos poderiam ter mais bom-senso. Nada de censura, mas um pouco de responsabilidade não custa nada. Deixemos os dramas para o dia-a-dia, o Carnaval é para ter prazer. Deixo aqui meu protesto de folião: abaixo os cadáveres e vilipêndios, no carnaval queremos é tapas-sexo menores!

1/28/2008

Igualdade Racial

A ministra da Igualdade Racial (é, isso existe!), Matilde Ribeiro, que entrou pela cota para negros dos ministérios do excelentíssimo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, está fazendo um excelente trabalho para promover a igualdade racial.

A ministra já declarou que o ódio racial é justificável. Mas só o negro pode não gostar dos brancos, já que os antepassados dos coitadinhos foram escravizados. Claro, isso é razão suficiente. Nessa linha de raciocínio, os brasileiros devem odiar os portugueses, por termos sido colônia. Os judeus têm o direito de odiar os alemães, por causa do Holocausto. Os erros do passado, segundo a ministra, podem e devem interferir nas relações sociais atuais. Rubinho Barrichelo, mesmo não sendo judeu, deve odiar o alemão. Isso, pelo menos, eu entendo.

Mas o melhor ato da ministra foi o gasto com o cartão corporativo do governo. Foi a campeã de gastos com singelos171 mil (número sugestivo esse) no ano de 2007. Uma pequena parcela do total de mais de 75 milhões gastos com os cartões corporativos nesse ano. Precisamos urgente de uma nova CPMF, afinal os cartões têm de ser pagos. Afinal, são do Banco do Brasil, uma estatal, pertence ao povo. O povo que pague a conta, ora!

Com essa notícia, vemos que a igualdade racial vai se estabelecendo no Brasil. Está provado, independente de raça, sexo ou religião, político quando tem a oportunidade de meter a mão no dinheiro público é tudo igual.

1/25/2008

Estou por aí sempre pensando nela

Tem um CD que não sai do CD-player do meu carro. Encontrei na loja por acaso, e ao ver do que se tratava não resisti e comprei. Dei de presente para mim, este Natal.

Trata-se de um projeto solo da Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu. Mas não é Rock, e sim Bossa Nova. Fernanda regrava diversas músicas que foram sucessos na voz de Nara Leão, com uma roupagem mais moderna e na sua voz doce.

Eu, fã do Chico, quase avancei direto para "Com Açúcar, Com Afeto". Mas comecei do início, e foi ótimo; começa com "Diz que fui por aí". Linda. Mas ainda tem a triste "Luz Negra", a engraçadinha "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos", e "Insensatez", do Maestro & Poetinha. Só para citar as minhas preferidas. Ah, e encerra com a marchinha "Ta-hi". Deixando um gosto de "quero mais!".

Recomendo a todos meus poucos (mas seletos)leitores. Quase esqueci: o nome do CD é "Onde Brilhem os Olhos Seus".

12/23/2007

Essa nossa estúpida retórica

Outro dia vi o Lula na televisão dizendo que tem “ojeriza a pacote”. Lembrei da época em que mal um ministro da fazenda assumia o cargo, vinha a expectativa do novo “pacote” econômico.

Era uma época de instabilidade econômica, inflação galopante, não havia expectativa a longo prazo, precisávamos de soluções imediatas, qualquer conjunto de medidas desesperadas para tentar dar valor real à moeda. E as medidas - surpresa!- eram sempre as mesmas. Corta zero, muda o nome da moeda, congela os preços, somem as mercadorias das prateleiras e lá vamos nós para a fila da carne. Ou o dinheiro não valia nada ou valia, mas não conseguíamos encontrar o que comprar. “Pacote” trazia implícito dois conceitos: para uns, podia ser a esperança de controle a curto prazo; para outros, mais realistas, era o que sempre foi: mais do mesmo.

Nunca bastaram, os “pacotes”. Era preciso um “plano”, uma idéia a longo prazo para estabilizar a economia. Um plano envolvia o que sempre faltou aos brasileiros, logística, preparação, pensamento a longo prazo. Uma vez com um “plano” na cabeça, o Brasil poderia finalmente ingressar no futuro, e buscar a forma correta de governar, não com “pacotes” com prazo de validade e pouca criatividade, nem um “plano”, limitado e específico para um único problema. Mas sim com programas: programa social, programa econômico, programa de governo. Envolvendo cronogramas, estratégia a longo prazo, metas.

O “Plano Real” deu ao brasileiro a sonhada estabilidade econômica, a credibilidade, a chance de um novo impulso à economia. Infelizmente, o criador do “plano” teve sucesso apenas em manter o plano, e faltou talvez firmeza para seguir, nos seus 8 anos de governo, com a parte definitiva, a instauração dos programas necessários ao desenvolvimento. Uma forma mais discreta de governar, porém mais estável e eficiente. Seu sucessor, o próprio Lula, resolveu seguir pela linha não trilhada pelo FHC.

Os programas sociais foram aproveitados e postos para funcionar de forma adequada. O bolsa-família, e isso é incontestável, foi a maior conquista desse governo, e sua principal bandeira. Um programa de verdade, não mero assistencialismo como julgam os detratores, visto que tem como fundamento manter as crianças –nosso futuro- na escola. Uma solução de curto prazo, dando apoio financeiro aos brasileiros que viviam abaixo da linha de miséria, associado a uma solução de médio e longo prazo, dando oportunidade de instrução às crianças. A idéia não foi original, mas foi muito bem executada e ampliada pelo governo Lula. Mas não é o bastante, precisamos aproveitar o bom panorama econômico internacional para impulsionar o crescimento. E como a época é favorável aos “programas”, surge esse obscuro “programa de aceleração do crescimento”, que foi bem divulgado –apesar de pouco explicado- com a simpática sigla PAC.

Acho que o presidente gostou da sonoridade do “PAC”. Agora todos os “programas” viraram PAC’s. Já ouvi falar em PAC da saúde, PAC da educação, PAC do Funasa, PAC isso e PAC aquilo. Foi introduzida na retórica política uma nova palavra, e parece que o significado está se perdendo com o abuso de seu emprego, como ocorre com todos os vocábulos ao longo de sua história etimológica. Atualmente qualquer conjunto de medidas para combater ou amenizar problemas específicos, é chamado de “PAC” para tal setor.

É impressão minha, ou a cada dia “PAC” se parece mais com abreviação de “PACote”???